A coluna desta semana faz referência a um recente artigo publicado em fevereiro último na renomada revista científica “Critical Reviews in Biotechnology” (“Revisões críticas em biotecnologia”) intitulado: “Dos micróbios ao peixe: a revolução na produção de alimentos”. Mas por que um tema publicado em uma revista científica pode ser importante para o nosso dia-a-dia? Vamos refletir em alguns aspectos!
Primeiramente toda vez que escutamos a palavra “micróbio” nos causa certa repulsão e aversão, certo? Já contamina nossas mentes com episódios de infecções em hospitais, em alimentos, etc. No entanto, os micróbios, pequenos seres estudados pela microbiologia, são fundamentais para a vida na terra… e também para a vida de nossos peixes. São eles os responsáveis por ciclar e transformar todos os nutrientes, tanto na terra como na água. Sem eles, nenhuma partícula seria degradada e transformada novamente em nutriente para sua posterior reutilização. A decomposição ou mineralização é realizada por uma série de micróbios como bactérias, fungos e protozoários, entre outros, que liberam nutrientes como nitrogênio, carbono, fósforo, entre outros, para que plantas terrestres, algas, microalgas e outros micróbios possam absorver estes nutrientes e continuar o ciclo da vida. Mas sim, existem micróbios “do mal”. Aqueles que se proliferam em condições específicas e podem causar doenças nos seres humanas, plantas e animais.
Mas os “micróbios do bem”, por que eles estão revolucionando a produção de peixes e camarões? Porque igual ao que ocorre no ambiente natural (ciclagem contínua de nutrientes, indo da larva do peixe aos peixes maiores), em ambientes confinados (cultivos) podemos induzir um crescimento super acelerado desses seres, melhorando a água de cultivo e transformando-os em rico alimento para os peixes, em biomassa nutritiva! Sabemos que sem os micróbios não haveria vida, não haveria peixes. Mas a opção de acelerar este processo vem revolucionando a forma de cultivar, antes águas claras e/ou quase transparentes, mas agora em águas turvas, marrons, cheias de micróbios que reciclam nutrientes e transformando os alimentos! Empresas mundo afora já adotam estas técnicas, quebrando paradigmas e revolucionando a forma de produzir alimentos!
Por:
Prof. Dr. Eduardo Guilherme Gentil de Farias, Engenheiro de Pesca
Prof. Dr. Giovanni Lemos de Mello, Engenheiro de Aquicultura
Prof. Dr. Jorge Luiz Rodrigues Filho, Biólogo
Prof. Dr. Maurício Gustavo Coelho Emerenciano, Zootecnista
aquicultura.pesca@gmail.com